Catano voltou a acontecer na Catânia

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Todos nós de alguma forma, por vezes, sentimos que o Sol gira à nossa volta, acho que é algo inerente à índole humana.

É de notar que até ao séc XVI a igreja não admitia que viesse cá algum cientista dizer o contrário, claro que o Copérnico com a sua teoria heliocêntrica veio estragar tudo aos que não queria ver mais além do que o seu próprio umbigo.

Relato aqui três episódios catastróficos em que eu parecia ser o ponto em comum, mas não, são apenas episódios/lições que nos dizem que somos pequenos, muito pequenos.

Na véspera de Natal o vulcão Etna entrou em erupção, mais uma vez, o tremor de terra subsequente feriu 10 pessoas e desalojou cerca de 600 em Catânia a cidade mais próxima.

Ora na nossa recente viagem ao sul da Itália tínhamos estado precisamente no dia 25 de Novembro em Catânia hospedados num Hotel chamado Etnea 316 na Via Etnea 316, na saída nocturna comi uma sandes chamada Volcano, no nosso pequeno almoço fomos servidos por um verdadeiro Vulcão Siciliano, um empregado de careca luzidia, que com a sua hiperactividade no serviço de mesa e olhar penetrante, facilmente correu connosco,  como quem não quer a coisa.

Seguimos viagem e reparamos na fumarola a sair do vulcão, mas deve ser assim todo o ano. (Foto)

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Um mês depois Catrapum! A Erupção .

Em 2005 em meados de Julho andava eu de visita a New Orleans, numa viagem pelas cidades musicais dos USA. Regresso a Lisboa e passado um mês estou a ver na TV as consequências do furacão Katrina com milhares de mortos e desaparecidos.

Um mês depois Catrapum! O Furacão

Em 19 de Dezembro de 2016 um novo atentado em Berlim com 12 mortos e 56 feridos numa feira de Natal onde tinha andado a olhar para as bancas precisamente um mês antes sob temperaturas de 1, 2 graus.

Um mês depois Catrapum! O Camião.

(Com as bancas visíveis na foto.)

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E agora o Monte Etna explodiu.

Tenho-me escapado sempre com um mês de avanço.

Uns dias antes de Catânia tínhamos estado em Pompeia e deu para entender a falta de tempo que houve para o que quer que fosse, quando o Vesúvio explodiu. Tempo houve apenas para abraçar os que mais se amam e deixar-se ficar ali, aninhado, no chão.

Quando penso nisso não me parece uma morte assim tão cruel. Morrer agarrado aos que mais amamos, ainda que asfixiado e queimado, parece-me menos trágico do que morrer sozinho numa casa na Lapa.

Há um pensamento que posso tirar de tudo isto.

Hoje pode ser o último dia da nossa vida, não sabemos.

No entanto adiamos  o que é importante e desvalorizamos o que temos, achamos sempre que melhores dias virão.

Continuamos a trabalhar arduamente para pagar as contas e termos uma boa reforma e continuamos a desvalorizar os bons tempos que se vivem, no aqui e agora.

Por outro lado se calhar somos felizes e não percebemos, no aqui e agora, será que é preciso voltarmos a ser infelizes para perceber ?

Eu quero viver como se não houvesse amanhã,

Amar, como se não houvesse mais ninguém,

Criar avidamente, como se o toque da campainha de saída estivesse eminente.

O teu mundo pode acabar!

Mas que não te apanhe desprevenido.

 

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