Nápoles-Trânsito e ortopedias

 – A nossa 1ª “tentativa ” de conhecer Nápoles

Por algumas razões nos últimos anos elegi o mês de Novembro como o mês para fazer “escapadinhas” de veraneio anual, primeiro porque tenho menos eventos,  em segundo as viagens são mais em conta e por ultimo evita-se as grandes enchentes de turistas, que são normais nos meses de verão. Claro que se o destino contar com umas praias soalheiras e acolhedoras ficaremos sorumbáticos por não usufruir delas em época estival, mas adiante…

Este ano o nosso destino era Nápoles o voo correu normal sem grandes comoções, a não ser pela ligeira dose de adrenalina por termos ocupado uns lugares que não eram nossos, mas vagos, só para ficarmos sentados juntinhos. Quando chegamos ao balcão do Rent-a-Car, negociamos um carro a gasóleo e evitamos o seguro que nos queriam vender, pois previamente tínhamos feito um seguro de reembolso aquando a reserva pela Internet. Este seguro de reembolso que teve o custo de aproximadamente 30€ para os 7 dias dá-te a garantia de recuperares os 800€ euros que ficam retidos no Rent-a-car em caso de acidente. Ao subscrever o seguro ao balcão pagaríamos cerca de 160€ para que os 800€ não ficassem cativos, ora com o seguro de reembolso poupa-se aproximadamente 130€, que vão fazer falta para nos perdermos na gastronomia Italiana.  Este parêntesis sobre seguros é muito útil para conduzir em Nápoles. V3DImage (1)

Chegamos a Nápoles cerca das 14h20 o tapete nº 7 parou e as nossas malas nunca surgiram. Pensei sobre o conteúdo da mala, roupa basicamente. Bem, do mal o menos.

Perguntamos a um assistente se já tinham chegado todas as malas, ele aproximou-se do buraco de onde as malas afluem e enquanto desviava as tiras de borracha gritou lá para dentro qualquer coisa num Italiano de vendedor ambulante, obtendo uma resposta do outro lado num tom alto e veemente também, não nos deixou dúvidas, não havia malas para ninguém. Fomos ao postigo da Baggage claim ao que a funcionária nos aconselhou a procurar em toda a zona antes de preencher a reclamação.

Já a nossa mente estava a assimilar umas férias sem roupa, quando de repente um outro casal de portugueses na mesma situação vem do ultimo tapete com uma das suas malas “extraviadas” pela mão.  Renovamos a esperança e ao olharmos na direcção do último tapete, lá estavam elas, sozinhas, à nossa espera. Foi o nosso primeiro “abre olhos” que nos dizia de alguma forma que esta cidade é capaz de ser mais free style do que julgamos.

Levantamos o carro e lá fomos nós, a Rita tinha comido um snack no Avião, eu já estava esganado de fome já só pensava em comida Italiana. Aconselhados pela empregada do rent-a-car, decidimos ir até à baixa de Nápoles a um restaurante que ficava mesmo junto ao Castel Nuovo. Mas logo durante o trajeto percebemos que esta não era uma cidade qualquer, vinham motas em contra-mão, cruzavam-se carros da esquerda para a direita, carros da direita para a esquerda, velhinhas que me ultrapassavam em traços contínuos, motas a raspar a morte com carros vindos de frente, buzinadelas quando eu parava num sinal vermelho, peões que sem olhar atravessavam as ruas fora das passadeiras e condutores que sem olhar atravessavam passadeiras sem reparar nos peões. Os outdoors que predominavam junto às passadeiras faziam publicidade às ortopedias mais próximas, meu Deus! Isto não agoura nada de bom. Percebi que não podia ser o condutor distraído das estradas de Portugal e foquei-me na condução como uma velhinha com falta de vista.c3-elle.270044

Chegamos junto à marginal de Castel Nuovo mas não encontramos sítio algum onde nos sentíssemos confortáveis. Olhamos um para o outro e de forma unânime decidimos:     - Vamos mas é sair daqui!

Fomos em direcção a sul para Erculano, junto a Pompeia, onde alugamos um quarto num Hotel chamado Ruins um nome irónico que começava a fazer sentido à medida em que observávamos o edificado durante o trajecto. Eu terei passado esse trajecto todo com comentários do género:

- Rita viste este?

- Xii! , olha lá aquele carro.

- Olha aquela varanda.

- Viste o que este maluco fez?

- Isto é um caos!

A Rita divertia-se muito com o que víamos enquanto soltava gargalhadas apaixonantes.

Bem, pelo menos estávamos a levar todas estas afrontas automobilísticas e paisagísticas na desportiva, caso contrário podíamos entrar em paranóia tal que abandonar o veiculo à berma da estrada era uma possibilidade e em ultima análise com toda esta experiência contrairmos um género de Stress Pós-traumático para o resto da vida.

Mas não ! Estávamos com a atitude correta

Quando chegamos a Erculano foi difícil encontrar lugar para o carro. Paramos numa rua que parecia mais um ferro-velho em que os carros todos quebrados e estacionados no passeio deixavam pouco espaço para peões , fomos fazer o check-in ao Hotel e acabamos a jantar numa Pizzaria com forno a lenha chamada Spachetteria onde comemos Pizza e Massa, What else? E um aceitável vinho Rosso.

Após o repasto decidimos ir buscar o carro para mais próximo do Hotel, pois o mais certo seria no outro dia o carro ser encontrado em cima de 4 tijolos, avaliando pelos irmãos metralhas que rondavam aquela vizinhança.  Mesmo correndo o risco de julgar o Book by it’s cover digo-vos as caras dos sujeitos não enganavam eram todos “Camorras”.

Amanhã vamos a Pompeia!

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